A Universidade Federal Rural da Amazônia discutiu, nesta quinta-feira dia 23 de Abril de 2009, sua participação ou não no novo ENEM. A pauta inicia com o repasse do Reitor em Exercicio Prof. SUEO NUMAZAWA, sobre a reunião da ANDIFES que tratou de tal tema. Na discussão dentro do Conselho Superior Universitário, que é composto paritariamente por discentes, técnicos administrativos e professores, definiu por adiar o ingresso da instituição no novo modelo de seleção dos estudantes ao ingresso na Universidade de forma unânime.
A categoria estudantil argumentou que esse novo critério de seleção acaba prejudicando basicamente as universidades de regiões menos favorecidas, como o Norte do Brasil, pois os eixos temáticos das disciplinas das três séries do Ensino Médio são diferentes em relação ao Sul-Sudeste do país. E como a prova provavelmente será elaborada por professores deste mesmo eixo, as matérias mais abordadas na prova serão diferentes, em relação a abordagem feita no Norte do país.
Em relação a regionalidade, os estudantes colocam que em uma prova unificada nacionalmente teremos uma perda de foco na prova quando a questão é a nossa região, a Amazônia. Dentro dos processos seletivos regionais, este é um eixo para elaboração de questões, fazendo com que o candidato demonstre seu nível de conhecimento sobre a dinâmica da sociedade local onde, provavelmente, estará inserido no mercado de trabalho. Então é importante para o candidato e para a instituição a presença de uma visão universal do contexto onde ambos encontram-se inseridos.
Com a proposta de cinco opções de cursos nas universidades participantes do novo ENEM, candidatos das regiões mais favorecidas terão um salto na questão de melhor preparação para a prova devido à infra-estrutura que se dispõe em tais regiões, e os nossos estudantes que sofrem os processos de mazelas sociais vivenciados na região, estarão um-passo-atrás no momento da concorrência. Precisamos valorizar os estudantes locais, priorizando seu ingresso na instituição custeada com recursos vindos para sua região, que por sinal são muito poucos (e não muito diferente da realidade nacional).
Outro ponto que foi argumentado é em relação as cotas, pois em nossa universidade adotamos o critério de proporcionalidade. Este critério divide as vagas em termos percentuais para o numero de inscritos no vestibular que são oriundos de escola publica e de escola particular, por entendermos como mais avançado. E no modelo proposto de ENEM encontram-se muitas dúvidas sobre a manutenção desses critérios particulares de cada instituição de ensino superior.
Dentro das discussões fora colocada pelos estudantes a seguinte reflexão e posterior proposição: “Quem Somos Nós para Definir de que forma um candidato do Ensino Médio entrará na Universidade. A nossa realidade não é esta. Aqui temos professores, servidores e estudantes que já passaram pelo vestibular. Nenhum de nós irá mais atravessar tal processo. Por isso é importante se abrir a discussão para que a comunidade Ufraniana avalie o nosso ingresso ou não e, para além de nossa comunidade Universitária, que os próprios estudantes do Ensino Médio, os principais afetados pela proposta, avaliem e dêem sua parcela de contribuição ao nosso debate interno.”
Esse debate foi travado e defendido pelos representantes do Sindicato dos Trabalhadores da Ufra – SINTUFRA, por alguns professores e pelos estudantes conselheiros organizados no DCE-Ufra.
O Contra-Argumento
Por parte do professor Paulo Carvalho, ele argumentou a possibilidade da Universidade receber recursos do MEC para a assistência estudantil na Instituição, que é muito débil nessa questão, citando a hipótese do estudante vindo de fora do estado receber uma ajuda de custo de R$ 300. Outro ponto levantado pelo Professor concerne no que diz respeito ao aspecto cultural. Teremos a possibilidade de ter o contato com pessoas de diferentes lugares do país e conseqüente enriquecimento cultural a partir dessas diferentes dinâmicas e costumes.
Percebe-se na discussão que temos vários custos e benefícios, e essa relação tem que ser favorável a nossa universidade. Devemos priorizar neste momento o debate com toda a comunidade, tanto interna quanto externa, para que estes decidam sobre tal atitude que pode, provavelmente, mudar o perfil do estudante ingresso na instituição, e cada vez mais excluir aqueles que merecem estar dentro da Universidade Federal Rural da Amazônia.
Jorge Alan Quaresma
Coordenador de Imprensa e Divulgação DCE UFRA